..( Série Fatos, Fotos e Vídeos ).. O FANTÁSTICO SISTEMA VETIVER NA BIOENGENHARIA E NO MEIO AMBIENTE

A   Vetiver  é  uma  planta  da  família  das  gramíneas,  herbácea,  perene,  cespitosa  (em moita)  cujas  raízes  atingem  em  torno  de  3  metros  no  primeiro  ano  de  plantio,  podendo  prolongar-se  até  6  metros  de  profundidade.  Propaga-se  principalmente  de  forma  vegetativa  (assexuada)  já  que  a  maior  parte  das  variantes  cultivares  produzem  pequenas quantidades de semente,  ou  simplesmente,  não  a  produzem.  Desta forma,  o  capim-vetiver  é  considerada  uma  espécie  muito  segura  para  se  utilizar,  não  existindo  o  risco dela  se  tornar  invasora.  Pode  ter  uma  longevidade  de  séculos.  Por  estas  razões,  na  Índia  o  Vetiver  vem  sendo  utilizado  há  séculos  para  delimitar  fronteira  de  terrenos,  pois  ele  permanece  exatamente  onde  foi  plantado.  É  também  conhecida  como  capim-vetiver,  capim-de-cheiro,  grama-cheirosa,  grana-das-índias,  falso-pachuli  (ou simplesmente  pachuli)  e  raiz-de-cheiro.

O  Sistema  Vetiver  é  uma  tecnologia  verde  atualmente  utilizado  em  mais  de  100  países  tropicais  e  subtropicais.

Acredita-se  que  o  Vetiver  seja  nativo  do  subcontinente  indiano,  sendo  vastamente  cultivado  na  Austrália, Indonésia,  Índias  Ocidentais,  África  e  Polinésia.  Os  principais  produtores  são  a  Índia,  Java,  Haiti, etc.  Na  América  Latina  também  vem sendo  empregado  no  Chile,  Venezuela  e  Colômbia.    O  Brasil  vem  aumentando  sua  produção  uma  vez  que  o  capim  Vetiver  têm  muitas  aplicações  a  favor  do  meio  ambiente.

O  Dr.  Paul  Truong,  um  dos  diretores  da  Vetiver  Network  é  um  conceituado  pesquisador  e  divulgador  do  Sistema  Vetiver  pelo  mundo.  Desenvolve  essa  técnica  desde  1990.  É  responsável  por  projetos  na  Ásia  e  no  Pacífico,  um  de  seus  principais  projetos  foi  a  recuperação  da  ferrovia  de  Madagascar,  onde  utilizou  mais  de  2,5  milhões  de  mudas  do  capim  Vetiver.

O  Dr.  Paul  Truong  esteve  visitando  a  América  Latina  e  o  Brasil  em  2012,    a  convite  do  Engenheiro  Civil  e  Geotécnico  Paulo  Rogério  e  da  empresa  Vetiver  Systems  Engenharia  e  Meio  Ambiente  quando  ministrou  um  curso,  que  além  da  parte  teórica,  foi  visitada  uma  obra  onde  procedia-se  controle  de  erosão,  na  qual  foram  aplicadas  mais  de  18  mil  mudas  do  capim  Vetiver.

CARACTERÍSTICAS  DO  VETIVER

Adaptação  a  todos  os  tipos  de  solos

Tem  resistência  e  potencial  de  crescimento  em  solos  pobres,  contaminados,  áreas  alagadiças,  etc.

Suporta  em  seu  desenvolvimento  pHs  de  3  a  12  e  resiste  a  temperaturas  de  10ºC  até  +50ºC

Em  situações  de  sinistros  (  incêndios,  alagamentos,  soterramentos,  etc.  )  possui  potencialidade  para  rebrotar

Não  é  uma  planta  invasiva,  não  possui  sementes  férteis,  razão  pela  qual  não  se  espalha,  somente  através  do  plantio  de  mudas

PRINCIPAIS  APLICAÇÕES  DO  VETIVER

O  Vetiver aplicado em taludes de corte e encostas provoca a estabilidade do solo superficial ao solo mais profundo e resistente, pois suas raízes podem chegar a 6 metros de profundidade.  As raízes não se desenvolvem na horizontal, sempre na vertical, com isso atingindo o solo mais firme.  Na superfície suas sebes perfiladas formam uma verdadeira e eficiente barreira, dissipando a força das enxurradas.

Pode ser aplicado em saneamento, pois é potencial despoluidor de águas, inclusive de esgoto doméstico e um agente recuperador de solos contaminados , até com metais pesados.  Nitratos, fosfatos e outros poluentes são fixados por suas raízes e eliminados a posteriori através da transpiração das folhas.  Pode chegar a 95% seu potencial de despoluição.

Na agricultura, sua aplicação é eficiente para proteção do solo contra processos erosivos.  Tem potencial para reestruturar e revitalizar nutrientes através do remanejamento da água no subsolo.

É utilizado ainda pela indústria de perfumes, em artesanato, coberturas de quiosques, etc.

Especificamente  nessa  abordagem,  vamos  apresentar  a  utilização  do  Vetiver  no  ramo  da  engenharia  civil  e  geotécnica,  assim  como  também  pode  ter  suas  aplicações  na  arquitetura.

Sabemos  que um  dos  principais  problemas  que  ocorrem  num  país  de  dimensões  continentais,  como  o  Brasil,  e  que  portanto  possui  milhares  de  quilômetros  de  estradas  ( rodovias  e  ferrovias  )  são  os  deslizamentos  em  taludes  e  encostas,  ocorrências  que  se  agravam  quando  das  temporadas  de  chuvas.

O  Sistema  Vetiver foi  pesquisado,  testado  e  desenvolvido  em  todo  o  mundo  tropical,   tem  sido  aplicado  na  estabilização  de  taludes  e  encostas  em  diversas  partes  do  mundo,  e  no  Brasil  começa  a  despertar  interesse,  não  só  pelas  suas  características  apropriadas  para  essa  finalidade,  como também  e  principalmente  pela  questão  ambiental,  é  um  instrumento  muito  eficaz  na  bioengenharia.

Apesar  de,  tecnicamente  ser  considerado  uma  grama,  o  Vetiver  quando  utilizado  na  estabilização  de  solos  se  comporta  como  árvores  ou  arbustos  de  diligente  crescimento,  porém,  suas  raízes  são,  por  unidade  de  área,  mais  resistentes  e  profundas  que  as  raízes  de  árvores,  além  do  que  raízes  de  árvores  se  irradiam  para  a  horizontal,  enquanto  que  as  raízes  do  Vetiver  se  desenvolvem  no  sentido  de  profundidade,  formando  retículas  que  vão  fixando  o  maciço  em  seu  entorno.  No  primeiro  ano  suas  raízes  podem  atingir  de  2  a  3,6  metros  de  profundidade.

Seu  sistema  de  raízes  quando  consolidado,  se  agrega  ao  solo  com  um  potencial  de  fixação  que  se  torna  dificultosa  sua  remoção.  Para  casos  de  necessidade  de  remoção  de  uma  reticula  de  raízes  já  consolidada  chega-se  a  ter  que  proceder  uma  escavação  considerável  em  seu  entorno.

O  Vetiver  é  tão  ou  mais  resistente  que  muitas  espécies  de  madeira,  suas  raízes  apresentam  uma  resistência  à  força  de  tração  elevadíssima,  o  que  favorece  sua  aplicação  em  despenhadeiros  de  encostas.  Essas  raízes  apresentam  uma  força  de  tração  média  testada  de  cerca  de  75 Mega Pascal (Mpa),  que  vem  a  ser  equivalente  a  1/6  do  reforço  do  aço  doce  e  um  incremento  de  resistência  ao  cisalhamento  de  39%  a  uma  profundidade  de  0,5m  (75Mpa = 750Kg/cm2).

Suas  raízes  penetram  em  solos  compactados  e  até  em  blocos  de  argilas duras  dos  solos  tropicais,  fixando-se  como  uma  âncora.

Normalmente  plantadas  em  conjunto,  perfiladas,  forma  densas  sebes  que  reduzem  a  velocidade  de  fluxo,  disseminação  e  desvio  da  água  de  enxurrada,  criando  um  filtro  muito  eficaz  que  controla  a  erosão. Com  o  fluxo  diminuído,  o  processo  de  infiltração  no  solo  é  reduzido,  evitando  impacto  prejudicial.  Ainda  como  filtro,  reduz  a  turbidez  do  escoamento  superficial,  quando  propicia  o  desenvolvimento  de  novas  raízes.  O  Vetiver  tolera  climas  extremos  e variações ambientais, inclusive seca prolongada, alagamento, inundação e extremos de temperaturas variando  de  -4ºC  a  55ºC (7’ F 131’F)  (Truong et al 1996).

O  Vetiver  cresce  muito  rapidamente  após  a  seca,  geada  e  outras  condições  adversas  do  solo.

Vetiver apresenta um elevado nível de tolerância a acidez do solo, salinidade, sodicidade e ácido, condições de sulfato ( Le van Du e Truong, 2003).

O  emprego  do  Sistema  Vetiver  é  recomendado  por  órgãos  internacionais  como  a  ONU,  Conselho  de  Pesquisa  dos  EUA  e  órgãos  nacionais  como a   Embrapa  (  Empresa  Brasileira  de  Pesquisas  Agropecuárias  )  e  pelo  DNIT   (  Departamento  Nacional  de  Infraestrutura  de  Transportes  ),  onde  em  sua  “Norma Nº 074/2006-ES”  recomenda  a  utilização  do  Sistema  Vetiver  no  tratamento  ambiental  de  taludes  e  encostas.

Vamos  então  acompanhar  explanações  sobre  o  Sistema  Vetiver  através  de   registros   fotográficos   executados   tanto  no  Brasil  como  no  exterior,  assim  como  algumas  ilustrações  em  desenho  esquemático.

ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDE  COM  RETÍCULAS  DE   RAÍZES  VETIVER

Nessa  ilustração,  podemos  observar  as  retículas  das  raízes  Vetiver  crescendo  verticalmente  pelo  solo  instável  e  penetrando  na  camada  de  solo  estável,  com  isso  estabilizando  a  camada  de  solo  instável

Procurando  obter  uma  correlação  com  o  Sistema  Vetiver,  fomos  verificar  um  sistema  utilizado  pela  Dersa  Desenvolvimento  Rodoviário  S.A.  utilizado  na  construção  da  pista  ascendente  da  Rodovia  dos  Imigrantes  na  década  de  70,  em  trecho  de  serra,  logicamente  onde  predominam  as  encostas  e  taludes. O  sistema,  então  inédito  no  Brasil,  foi  o  Pali  Rádice  (  Estaca  Raiz  ),  cujos  primeiros  modelos  foram  concebidos  e  aperfeiçoados  naquela  época  pela  Fondedile  SpA – Nápoles – Itália.

Essa  técnica  consistia  em  através  de  retículos  de  Estacas  Raiz  (  Pali  Rádice  )  injetados  no  talude,  em  geral  argilosos  saturados,  formar  uma  espécie  de  muro  de  arrimo  no  interior  do  maciço,  estabilizando-o.

Vejamos na sequência a ilustração referente ao  emprego  de  estacas  raiz,  técnica   utilizada   pela   Dersa  na  construção  da  Rodovia  dos  Imigrantes.

ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDE  COM  RETÍCULAS  DE  ESTACA  RAIZ  (  PALI RADICE )

Se  compararmos  com  o  desenho  anterior,  veremos  que  o  Sistema  Vetiver  possui  o  mesmo  princípio  da  estabilização  do  solo  que  a  estaca  raiz,  com  a  diferença  que  o  Vetiver  deve  ter  seu  plantio  em  espaçamentos  menores  que  os  travamentos  com  estaca  raiz,  porém,  é  um  sistema  favorável  ao  meio  ambiente,  baixo  custo,  perene  e  contribui  no  quesito  paisagístico.  O  emprego  de  um  ou  de  outro,  logicamente  dependerá  de  vários  fatores,  sendo  decisão  de  profissional  especialista.

As  raízes  do  capim  Vetiver  crescem  de  2  a  6  metros  em  sentido  vertical.  As  raizes  do  capim  Vetiver  crescem,  se  encorpam  e  se aprofundam  de  uma  tal  maneira  fixadas  no  solo  que  se  faz  necessário  uma  escavação  de  porte  para  eventual  remoção.

UM  TRECHO  ESTABILIZADO  COM  VETIVER  E  OUTRO  SEM  ESTABILIZAÇÃO

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  ESTABILIZAÇÃO  DE  ENCOSTA  EM  UMA  FAZENDA  (  PORTUGAL  )

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  ESTABILIZAR  TALUDE  EM  ESTRADA  (  FILIPINAS  )

 VETIVER  PLANTADO  PARA  CONTROLE  DE  EROSÃO  (  CHINA  )

 VETIVER  PLANTADO  NO  BORDO  DOS  ACOSTAMENTOS  DE  UMA  ESTRADA  (  EL  SALVADOR  )

VETIVER  PLANTADO  NO  TALUDE  DE  UMA  RODOVIA,  SENDO  UM  SOLO  MUITO  ARENOSO,  MUITO  SOLTO  (  CHILE  )

OUTRO  TRECHO  DA  MESMA  RODOVIA  (  CHILE  ),  NUMA  REUNIÃO  DE  ENGENHEIROS  E  TÉCNICOS  SOBRE  A  APLICAÇÃO  DO  VETIVER

UMA  PROTEÇÃO  DE  TALUDE  EM  UMA  USINA  GEOTÉRMICA  DE  EL  SALVADOR.  EM  ABRIL  DE  1998,  FORAM  PLANTADOS  8.500  METROS  LINEARES  DE  VETIVER.  NA  PARTE  ORIENTAL  DE  EL  SALVADOR  SOFREU  OS  PIORES  DANOS  CAUSADOS  PELO  FURACÃO  MITCH,  E  TODAS  AS  ÁREAS  REVESTIDAS  COM  VETIVER  PERMANECERAM  INTACTAS  APÓS  A  OCORRÊNCIA  DO  FURACÃO.

ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDE  COM  PLANTIO  DE  VETIVER  (  ÁFRICA  DO  SUL  )

ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDE  EM  RODOVIA  COM  PLANTIO  DE  VETIVER  (  VIETNAM  )

  ESTABILIZAÇÃO DE TALUDE EM RODOVIA EM CONSTRUÇÃO COM PLANTIO DE VETIVER  (CONGO)

EMPREGO  DO  VETIVER  COMO  PROTEÇÃO  E  ESTABILIZAÇÃO  DOS  TALUDES  NAS  CABECEIRAS  DA  PONTE,  ATUANDO  TAMBÉM  COMO  UM  PREVENTIVO  CONTRA  EVENTUAL  INUNDAÇÃO  CAUSADORA  DE  IMPACTO  NO  MACIÇO  (  CINGAPURA  )

PLANTIO  DE  VETIVER  EM  TALUDE  DE  REPRESA  ( AUSTRÁLIA )

ESTABILIZAÇÃO   DE   ENCOSTA   DE   UMA   ESTRADA   RURAL   COM   PLANTIO   DO  CAPIM   VETIVER   (  MADAGASCAR  )

 

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDES  NA  CONSTRUÇÃO  DE  UMA  FERROVIA  (  CHINA  )

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  ESTABILIZAÇÃO  DE  UMA  ENCOSTA  MUITO  ÍNGREME  JUNTO  A  UMA  OBRA  DE  ARTE  DE  FERROVIA  (  BRASIL  )

VETIVER  APLICADO  EM  PROJETOS  DE  ARQUITETURA  E  PAISAGISMO

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  ESTABILIZAÇÃO  DE  TALUDE

PLANTIO  DE  VETIVER  COMO  EFEITO  PAISAGÍSTICO

PLANTIO  DE  VETIVER  ATUANDO  COMO  ESTABILIZADOR  DO  PEQUENO  TALUDE  ASSIM  COMO  FUNCIONANDO  COMO  EFEITO  PAISAGÍSTICO

VETIVER  ESTABILIZANDO  UM  TALUDE  DE  INCLINAÇÃO  ACENTUADA  EM  CONDOMÍNIO  RESIDENCIAL

PLANTIO  DE  VETIVER  EM  TALUDE  PARA  SUA  CONSOLIDAÇÃO  E  QUE  FUNCIONARÁ TAMBÉM  COMO  EFEITO  PAISAGÍSTICO

PLANTIO  DE  VETIVER  PARA  CONSOLIDAÇÃO  DE  TALUDES  E  PREVENÇÃO  CONTRA  DESLIZAMENTO  SOBRE  EDIFICAÇÕES

PLANTIO  DE  VETIVER  EM  PARQUE  URBANO  ( PORTUGAL )

PLANTIO  DE  VETIVER  COMO  EFEITO  ORNAMENTAL  EM  SHOPPING  (  AUSTRÁLIA  )

DIVULGAÇÃO  INTERNACIONAL  DO  SISTEMA  VETIVER

DIVULGAÇÃO  NO  BRASIL

VÍDEOS

(  Clique  sobre  a  imagem  para  assistir  )

Plantio  do  Vetiver  para  estabilização  de  talude  a  45º,  observando-se  a  simplicidade  do  procedimento, parcos  recursos  necessários  de  equipamentos  e  mão  de  obra  especializada,  o  que  atribui  ao  sistema  de  estabilização  um  custo  muito  baixo,  sem  contar  a  eficácia  da  estabilização  e  sua  contribuição  ao  meio  ambiente.

Explanação  do  Dr.  Paul  Truong  sobre  a  utilização  do  Sistema  Vetiver  no  controle  de  erosão  progressiva  e  estabilização de  encostas  e  taludes  (  vídeo  original  em  inglês,  ativar a tradução legendada no mesmo)

O  Sistema  Vetiver  aplicado  em  obras  de  saneamento

SISTEMA  VETIVER  NA  PREVENÇÃO  E  TRATAMENTO  DE  ÁGUA  E  TERRA  CONTAMINADA

Paul Truong TVNI Diretor responsável na Ásia e Sul do Pacifico, Diretor Gerente da Veticon Consulting Brisbane 4069, Austrália.

Email: p.truong@veticon.com.au

O Sistema Vetiver (SV) baseado nas aplicações da Grama Vetiver ( Chrysopogon zizanioides,robert L.) tem sido pesquisado e desenvolvido pelo The Vetiver Network International (TVNI) como uma ferramenta de proteção ambiental.  O uso do SV na proteção ambiental e uma nova tecnologia  em fitorremediação.  O SV tem sido usado em mais de 100 países tropicais e subtropicais na Austrália, Ásia, África e na América Latina no tratamento e disposição das aguas poluídas, rejeitos de mineração e terras contaminadas devido a sua eficiência e baixo custo nos métodos naturais de proteção ambiental. Enorme Pesquisa e Desenvolvimento na Austrália, China e Tailândia por mais de 20 anos indicam que a Grama Vetiver não é invasiva e tem alta absorção de agua e nutriente e vive no tipo mais adverso de solo e condições climáticas.  A Grama Vetiver é tolerante a elevados e até  tóxicos níveis de salinidade, acidez, sodicidade, assim como no campo total de metais pesados e agroquímicos.  A última pesquisa também mostra a sua excepcional habilidade em absorver e tolerar níveis extremos de nutrientes, capaz de consumir grandes quantidades de agua em condições úmidas e produzir um crescimento notável.  Trata se de uma tecnologia de agua servida, porém amiga do meio ambiente e do verde e também  um meio de reciclagem natural. Seu produto final tem muitos usos incluindo forragem para animais, artesanato e material para fazenda orgânica. Devido as suas extraordinárias características morfológicas e fisiológicas, a grama vetiver tem sido usada com muito sucesso na reabilitação de rejeitos de minas de carvão, chumbo, zinco, cobre, bentonita, bauxita e também na fitorremediação de terra altamente contaminada e em rejeitos sólidos de industrias na Austrália, Chile, China, África do Sul, Tailândia e Venezuela. Esse trabalho revê e atualiza as recentes pesquisas e desenvolvimentos e aplicações do Sistema Vetiver na prevenção e tratamento de agua e solo contaminados. Palavras chaves: Grama Vetiver, lixivia, efluente, rejeitos de mineração, terra contaminada, metais pesados

O Sistema Vetiver (SV), que está baseado na aplicação da Grama Vetiver (Chrysopogon zizanioides,robert L.) foi desenvolvido primeiramente pelo Banco Mundial na conservação do solo e agua na Índia nos anos de 1980. Além de sua importante aplicação em terras agrícolas, as pesquisas cientificas nos últimos 20 anos mostram claramente que o SV também e um dos mais eficientes e de baixo custo dos métodos de proteção ambiental existentes no mundo. Resultando disso que o SV esta sendo usado cada vez mais mundialmente nessa finalidade.  Por isso que é igualmente chamada a Grama Maravilhosa, a Grama Milagrosa, ou ate Grama Magica em muitas partes do mundo. As quatro aplicações do SV são: Proteção Ambiental por: Prevenção, Tratamento de Agua Servida, Reabilitação e Tratamento de Terra Contaminada, Estabilização de Taludes Íngremes, em terras secas e em margens de rios. Conservação do solo e da agua em Terras Agrícolas.  Esse trabalho refere se somente com os temas relativos a proteção ambiental.

PREVENCAO,TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO DE AGUAS CONTAMINADAS (Truong et al, 2008)

O Sistema Vetiver está atualmente bem aceito e usado mundialmente em numerosas aplicações. Entre essas, as aplicações na proteção ambiental são as mais populares devido a sua eficiência, simplicidade e baixo custo. A pesquisa anterior levou a compreensão do papel dos atributos extraordinários fisiológicos e morfológicos da Grama Vetiver na conservação do solo e da agua e descobriu se que a mesma também possui atributos únicos altamente adequados para o tratamento de agua poluída e servida tanto de indústria como de descargas domesticas e também em terras contaminadas de industrias e minerações. O SV pode reduzir o volume de saída de agua servida indesejável através do  controle da percolação, irrigação de terras e terrenos alagados. Aplicações com sucesso são as do tratamento de

  efluente de esgoto doméstico e municipal e lixiviados de aterro,  detritos industriais recicláveis e sua disposição, percolação industrial e em mineração

 O SV pode melhorar a qualidade da agua servida por: segurar detritos, sedimentos e partículas e absorvendo poluentes tais como os nutrientes e metais pesados, desintoxicação de agroquímicos em terras úmidas. Aplicações bem sucedidas estão na qualidade da agua servida de:  movimentação da agua em terras agrícolas  e movimentação da agua em área urbana. O SV pode reduzir o impacto da poluição causada por terras contaminadas por industrias e minerações pela reabilitação e fitorremediação  e  movimentação da agua em terreno industrial e mineração.  O SV está sendo usado em mais de 100 países de clima tropical e subtropical na prevenção e tratamento de agua poluída e terra contaminada. Pesquisas extensas na Austrália, China e Tailândia e noutros países mostram que a grama vetiver possui características apropriadas para a finalidade da proteção ambiental (Truong 2004).  Por exemplo, tolerância a níveis elevados e ate tóxicos de salinidade, acidez, alcalinidade, sodicidade bem como um amplo campo de variação em metais pesados e agroquímicos. A ultima pesquisa também mostra sua excepcional habilidade de absorver e tolerar níveis extremos de nutrientes (Wagner et al,2003), de consumir grandes quantidades de agua no processo de produção de um crescimento notável, mais de 100 ton/ha de biomassa (Truong and Smeal,2003). Tais atributos indicam que a Vetiver e altamente adequada tanto para o tratamento de dejetos poluídos de industrias como de efluentes domésticos.

Redução ou Disposição da Agua Servida.  Na redução em grande escala ou total saída de  aguas servidas,  os métodos vegetativos são os únicos possíveis e praticáveis até então.  No passado,  arvores e várias  espécies de pastagens foram usadas para a controle da agua servida na Austrália, porem recentemente, a grama Vetiver tem sido usada por ser mais eficiente que arvores e pastagens na solução do tratamento de lixiviação de aterros, efluentes domésticos e industriais.  Para quantificar a agua usada na Vetiver, uma caixa de vidro para a experiência foi usada e mostrou boa correlação entre a agua utilizada e a matéria seca originada.  Dessa correlação está estimado que para 1 kg de biomassa seca de brotos, a Vetiver usaria 6.86 L/dia. Se a biomassa da vetiver de 12 semanas, no pico de seu ciclo de crescimento foi de 40.7 t/ha, um hectare de vetiver potencialmente usaria 279 KL/há/dia (Truong and Smeal, 2003)

Maior capacidade de absorção de N e P do que outras plantas. PHOSPHORUS UPTAKE NITROGEN UPTAKE P kg/ha/year 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Vetiver Dryland 149 Rhodes Grass 90 90 Kikuyu Grass Forage Sorghum 70 70 Rye grass Eucalyptus 15 N kg/ha/year 1200 1000 800 600 400 200 0 Vetiver Dryland 1,140 Rhodes Grass 600 Kikuyu Grass 500 Forage Sorghum 360 Rye grass 250 Eucalyptus 90 Plant Species Plant Species 2.1.1. Controle do efluente de esgoto doméstico. A primeira aplicação do SV para esgoto doméstico foi feita na Austrália em 1996, e experimentos subsequentes demonstraram que plantando 100 plantas vetiver numa área menor do que 50 metros quadrados conseguiu se secar completamente a descarga efluente de um vaso sanitário num parque, onde outras plantas como as gramas e arvores de crescimento rápido e cultura s como as de cana de açúcar e bananas falharam ( Truong and Hart,2001).

Controle de Detritos Industriais O Controle de detritos industriais esta sujeito à severas normas ambientais exigidas pela Autoridade de Proteção Ambiental  ( Environmental Protection Authority).  O método mais econômico de tratamento de dejetos industriais e por irrigação da terra, que presentemente se baseia em safras agrícolas e plantas florestais. Todavia com área limitada de terra disponível para irrigação, tais plantas não são suficientemente efetivas para disposição sustentável de todos os efluentes produzidos pelas industrias.  Portanto para atender os novos padrões, a maioria das industrias estão sob forte pressão para melhorar seus processos de tratamento usando o SV como meio sustentável de tratamento do rejeito de agua usada  ( Smeal et al,2003)

Controle de lixiviação de Aterro. O Controle de lixiviação em aterro é da maior preocupação em todas as grandes cidades, porque os lixiviados são frequentemente contaminados com metais pesados, poluentes orgânicos e inorgânicos.  Na Austrália, China, México, Tailândia e USA esse problema pode ser resolvido pela irrigação da Vetiver que está plantada no topo do aterro e a parede de retenção da barragem tendo o lixiviado sido coletado no fundo do deposito.

Caso estudado na Austrália:  A disposição de lixiviados em aterros é uma grande preocupação em todas as grandes cidades, pois o lixiviado frequentemente está altamente contaminado com metais pesados e poluentes orgânicos e inorgânicos.  Na Austrália e China esse problema tem sido resolvido com a irrigação da planta vetiver plantada no topo do aterro sendo que a parede da barragem de retenção terá o lixiviado coletável no fundo dos depósitos.  Os resultados até o momento são excelentes, e o crescimento foi tão vigoroso que durante o período de seca, havia suficiente lixiviado para irrigar o Vetiver.   Uma plantação de 3.5 há eficientemente usou 4 ML por mês no verão e 2 ML por mês no inverno (Percy and Truong,2005)

Estudo de Caso nos USA e México: A utilização no local de aterro de lixiviados usando sistemas de fitorremediação está transformando a maneira que a indústria de lixo controla o dejeto liquido gerado.  Essa mudança não somente substitui o antigo processo. Carregue, Leve e Descarregue onde a tecnologia já é conhecida,  mas representa uma verdadeira solução Verde, de carbono negativo e sustentável usando arvores e gramas. Além disso, a solução economiza milhões de dólares em cada local onde for incorporada.

Leggette,brashears & Graham,Inc (LBG) em parceria com Republic Services, Inc tem um numero de projetos bem sucedidos de fitorremediacao. USA: Biloxi, MS : O Republic Gulf Pines teve seu aterro como o primeiro de seu tipo em projeto no Hemisfério Ocidental, quando a grama Vetiver foi usada na fitorremediacao do lixiviado nesse local do Golfo. Três acres de Vetiver foram plantados no topo desse pré-aterro  para processar aproximadamente três milhões de galões de lixiviados por ano.  O custo da saída de lixiviado por galão ficou de $0.13 para menos de $ 0.015 por galão.(menos de 10% do custo ). O projeto vai economizar $8 milhões de dólares num período padrão típico comparado com os métodos tradicionais de disposições fora do local.

Esse projeto foi recentemente premiado honrosamente com o prêmio nacional Grand Prize vencedor no American Academy of Environmental Engineers National Engineering Excellence Competition. Prêmio vencedor na Academia Americana de Engenheiros Ambientalistas, Competição de Excelência na Engenharia Nacional Americana.

Mexico: Leon,Poza Rica e Villahermosa Os três primeiros projetos dessa natureza na América Latina usando a grama vetiver na fitorremediação de aterro lixiviado estão sendo feitos pela maior companhia de lixo do México, a Promotora Ambiental SAB de CV(PASA) e cada um traz numerosos desafios específicos de cada lugar. O aterro de Leon e uma usina adquirida recentemente com necessidade de inúmeros melhoramentos que ficaram sem ser realizados pelo proprietário anterior.  Um problema enorme e o gerenciamento da pesada e domestica lixivia industrial formada e gerada nessa usina. Além dos 25.000 galões de lixivia produzidos diariamente, um adicional de 15 milhões de galões estão correntemente armazenados em lagoas à espera de tratamento.  O proprietário está sob grande pressão política para deixar o aterro dentro de padrões aceitáveis. O uso do SV na fitorremediação para resolver tais problemas tem aliviado a pressão e  um passo significativo para acabar solucionando todo o local com grande sucesso. A usina de Poza Rica inclui o uso da vetiver para 3 propósitos : Estabilização de taludes altamente  erodiveis e muito íngremes, utilização no local da lixivia fresca, e controle de saídas inesperadas de lixivia.

 Villahermoza e similar a Poza Rica, todavia o projeto e operação dum sistema eficiente ficou mais complicado devido as extremas chuvas nessa usina, pois a mesma fica localizada próxima a costa sul do Golfo do México.

Tendência Futura Eficiente no Custo: Os resultados das aplicações nos USA nos últimos anos, indicam que devido ao custo crescente da disposição convencional dos lixiviados, custos de transporte e lançamento, a fitorremediação usando o SV e a escolha mais obvia para superar o custo cada vez maior, portanto o futuro da tendência e cada vez mais a aplicação do SV na fitorremediação.

7 Modelagem: A modelagem por computador e comum e muito usada para determinar a área necessária para a aplicação do SV em larga escala no tratamento de agua servida. Os parâmetros necessários de entrada para o processo de modelagem incluem dados de clima a longo prazo e com precisão, tipo de solo, profundidade do solo, nível do lençol freático e valor preciso da quantidade e qualidade do input de agua servida (truong e Truong,2011). Até o presente nenhum modelo está disponível para tratamento de pequenos volumes, pois esses parâmetros não são disponíveis e são até indisponíveis. Um trabalho apresentado nessa Conferencia Computer Model for Treatment of Small Volume Wastewater mostrara um método mais preciso da determinação da área de terra necessária para essa aplicação baseado no conhecimento mais recente bem como na experiência acumulada com o SV.

TRATAMENTO E REABILITACAO DE TERRAS CONTAMINADAS

Em termos de proteção ambiental, o mais significante e sensacional nos últimos 20 anos são primeiramente a pesquisa que tem o marco chave de níveis de tolerância da vetiver em condições adversas de solo e em seguida sua tolerância ao efeito toxico de metais pesados. Isso tem mostrado um novo campo de aplicação para a reabilitação de terras toxicas e contaminadas. 3.1 Reabilitação de Minas e Fito-remediação Com as características morfológicas e fisiológicas extraordinárias da grama vetiver ela tem sido usada com muito sucesso na estabilização de taludes íngremes e na fito-remediação de rejeitos de minas na Austrália e em outros países (Truong 2004).  Na Austrália, o SV é usado com sucesso para tratamento de rejeitos de carvão bem como a reabilitação dos mesmos e rejeitos de minas de ouro antigas e recentes (Truong 2004).

Na China, o SV tem sido usado com sucesso para tratar os rejeitos de minas devido a alta tolerância ao metal, e ainda mais, essa grama pode também ser usada para a fito-remediação devido a sua grande biomassa. Recente pesquisa sugere que a vetiver também tem alta tolerância a drenagem de minas acidas (AMD) de uma mina de Pb/Zn e terras alagadas plantadas com essa grama pode ajustar eficientemente o ph e remover SO 4, Cu,Cd,Pb,Zn e Mn das AMD.(Shu,2003 e Xia et al, 2003).

Na África do Sul, Roley Nolfke, CEO da empresa Hydromulch, de Johannesburgo, Republica da África do Sul, apresentou um trabalho chave nessa Conferencia Projetos de Minas e sua Reabilitação na África do Sul e nas Ilhas Índias Ocidentais.   Numerosos projetos na República Democrática do Congo, Etiópia,  Brazzaville Congo, Guiné, Gabão, Madagascar e África do Sul foram reabilitados com sucesso usando a Vetiver/Sistema de Hidrosemeadura e está agora ampliado para comunidades locais em zonas rurais na reabilitação e aproveitamento da terra sustentável. Inclusive uma breve vista geral dos projetos refletindo os grandes progressos que foram adquiridos no controle dos sedimentos e da erosão, na bioengenharia e na restauração da vegetação e da participação geral da comunidade são mencionados.

Na Tailândia,  Chomchalow, 2006 relata que a Vetiver poderá crescer bem em rejeitos de minas de chumbo.

A aplicação de composto ou fertilizante químico resultou em melhor crescimento em altura e peso seco do que sem o uso de fertilizantes, mas não aumentou a concentração de chumbo nas plantas Vetiver. A maior concentração ficou na raiz e não nos brotos.

VANTAGENS DA APLICACAO DO SISTEMA VETIVER

Simplicidade. A aplicação do Sistema Vetiver e bem simples se comparada com outros métodos convencionais.  Além de um projeto inicial apropriado, requer apenas preparação padronizada para plantação e controle de pragas na fase de estabelecimento das plantas vetiver.

Custo Baixo.  A aplicação do Sistema Vetiver em tratamento de agua servida custa uma fração do custo através de métodos convencionais tais como métodos químicos ou mecânicos.  A maior parte do custo está nas mudas de Vetiver, com pequenas quantias de fertilizantes, herbicidas e mão de obra.

Manutenção Mínima. Quando estabelecido apropriadamente, o Sistema Vetiver (SV) praticamente não requer nenhuma manutenção no seu funcionamento.  Com a colheita sendo feita duas ou três vezes ao ano para exportar nutrientes e remover crescimento maior para outras finalidades é tudo que precisa de ser feito. Daí esse agudo contraste com outros meios que necessitam constante despesa de manutenção e operador experiente, geralmente um engenheiro, para ser operado eficientemente.

Agradecimentos:

Agradeço ao Eng. Paulo R. Rogerio a tradução do idioma inglês para o idioma português e vice versa.

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